Abstract

OS LUCANOS CANTAM MONOTONOS
(I LUCANI CANTANO MONOTONI)
Grita a nossa canção árabe
Por que só nos ciganos
nós acreditamos.
Os ciganos roubam
as manadas dos seus donos
e nós cantamos cantamos
na noite com eles.
O rei dos ciganos está conosco
come conosco a carne roubada.
E nós cantamos os louvores
só ao rei dos ciganos.
A mulher cigana é a mais bonita
de todas as mulheres que nos olharam.
E nós cantamos as graças
das meninas bonitas.
Os animais dos ciganos
tem o olhar manso
dos companheiros de viagem.
E nós compramos os cavalos
que vendem os ciganos.
E só os ciganos
nos fazem rir e chorar
assim por deleite.
O fogo dos ciganos no peito
nas noites que o nosso tambor
aduna os caipiras lucanos
batendo no beco obscuro.
(1948)
CARTA A DOM LEONARDO SINISGALLI
(LETTERA A DON LEONARDO SINISGALLI)
Praças e ruas com seus nomes
com o próprio ar de luz em cima
que quereis! Comecei a girar
para tentar fora o horizonte
da minha casa. E vejo que sois
meus camaradas.
E nós esperamos de ti
a casa que se levanta
o sapato que se informa
a mesa grande que nasce da árvore.
(1949)
MONTESCAGLIOSO
(MONTESCAGLIOSO)
Todas estas folhas que eram verdes:
se faz ouvir o vento das folhas que se perdem
fundando os sulcos novos na terra esmigalhada.
Cada sulco tem um nome, tem uma folha perene
que remonta sobre os galhos de noite em primavera
para fazer o dia novo.
Caiu Novello na estrada ao amanhecer,
naquele ponto se domina o campo,
naquela hora somos donos do tempo que chega,
o mundo está perto desde Chicago até aqui
sobre a montanha enrugada que parece uma proa
uma velha proa emersa
que longamente esfoliou as ondas.
Anda o povoado entre as nuvens, anda
na rua onde um homem se plantou no leme,
no amanhecer quando remonta nos galhos
a folha perene em primavera.
(1950)
